Nossa República já nasceu torta. Criada em 16 de novembro (e não 15, como os livros didáticos querem que pensemos), nasceu com ideias iguais aos que estão colocados agora à baila. Destituição pelos interesses pessoais dos envolvidos, poucos pensavam num todo da população. Não digo que a Monarquia era uma coisa boa ou ruim, mas foi por ela que adquirimos a Unidade Nacional de hoje, que é o nosso maior legado após a Independência em 1822 e a expulsão total dos portugueses do Brasil em 1823.
Passado os séculos e os vários anos que nos separam daquela distante noite de novembro de 1889, o que aprendemos com a República? Tivemos dois militares como os primeiros presidentes do País, ambos renunciando ao cargo, uma incrível sucessão de aristocratas empresários da agropecuária que mal conheciam o vasto território, até chegarmos a Getúlio Vargas.
Este, considerado o “pai dos pobres” - porém gosto mais desse: “mãe dos ricos” – criou várias instituições das quais desfrutamos hoje. Começou a indústria nacional, com a criação da primeira companhia siderúrgica do país, presente do “Big Brother” Uncle Sam, pela participação dos nossos soldados na II Guerra Mundial, ao lado dos aliados. Anos depois, criou a Petrobras, nosso orgulho, mas manchada recentemente de lama e não de óleo, devido às investigações que revelaram as negociatas escusas para manutenção dos partidos governistas no poder.
Depois de sua morte, nenhuma outra pessoa assumiu o papel de defensor do Brasil, de protetor dos brasileiros, um nacionalista que tivesse peito para ser amigo dos maiores do mundo e ao mesmo tempo protegesse nosso patrimônio. Como um vizinho amistoso, que todos nós gostaríamos de ter na nossa rua.
Após isso, o desencadeamento do golpe de 1964, que muitos preferem chamar de “revolução”, se equiparando a João Goulart, presidente deposto pelo regime recém instaurado que diziam que traria o Comunismo para os trópicos, isso sim seria uma revolução, os marechais e generais que se revezaram no poder trataram de querer “modernizar” o país, mas sua corrupção latente e rejeição popular conviveram com acertos e muitos erros, que acabaram nos colocando num calabouço do qual levamos duas décadas para sair.
Vinda a redemocratização, o país caiu novamente nas mãos de quem sempre esteve perto da liderança política do país. Paulos, Josés, Fernandos, Robertos, dentre tantos nomes conhecidos que sempre estiveram a serviço de alguém mais importante que o próprio povo brasileiro.
Quando acertamos a economia, quase uma década depois vieram as reformas sociais. Parecia que estávamos no caminho certo. Mas as conquistas sociais que os menos favorecidos ganharam nos primeiros anos deste século ainda não nos fizeram espremer o Varguismo e o Militarismo de nossas veias. Continuamos a gostar de "cala-bocas" concretos, materializados de benefícios.
Somos um povo fácil de ser manipulado, aliás grandes países com grandes populações são assim. Povos dos EUA, China, Argentina, nós, entre outros, são grandes massas de manobra. Quando aparece um que pensa diferente, daí vem ou a oportunidade de mudança ou de aniquilar tal pessoa que não esteja dentro de um acordo de cooperação mútua com que realmente manda.
O acolhimento do pedido de impeachment da presidente atual é totalmente legítimo ao país democrático em que vivemos. Está de acordo com o instituído em nossa Constituição. A atual mandatária e sua equipe são totalmente responsáveis por ter gastado mais do que tem pra gastar. Como alguém pode colocar a economia nacional em frangalhos como o grupo político que está no poder colocou? Sempre acreditei que o Estado Nacional tem por objetivo resguardar o bem estar da população como um todo: empresários, trabalhadores, analfabetos, desempregados, refugiados e todas as classes. Mas não pode querer destruir o que se levou anos para ser construído privilegiando poucos – ou até muitos – em detrimento aos demais. Isso é injusto e não justifica que os “injustiçados” de tantos anos agora têm que ter do melhor porque quem sempre tiveram do pior e quem sempre teve do melhor acabou perdendo no momento atual. Todos nós estamos perdendo, até mesmo os justificados “injustiçados”. Somos por demais atrapalhados por um governo retroalimentado de impostos que nos empobrecem e tiram nossos empregos e rendimentos, sejamos empresários ou empregados. E não obtemos nenhum tipo de retorno. Isso sim é uma lástima que precisa ser consertada o mais rápido possível, pois quanto tempo levaremos para recuperar o que estabelecemos na metade da década de 1990?
Porém, da forma como foi acolhido esse pedido é o que impressiona. Uma pessoa da índole mais pútrida de quem se tem notícia deflagra algo em nome da chantagem política, pois seus próprios interesses pessoas estão em jogo. Gosto da ideia de que se Dilma for impedida de continuar seu mandato, o deputado presidente da Câmara perca o seu e sua liberdade, respondendo logo em primeira instância às acusações que lhe forma impetradas, aqui na Justiça Federal em Curitiba. Pois a Justiça está bem acelerada nessa questão e vê-lo removido ao cárcere será o melhor do sentimentos que nutro por tal pessoa. Dilma não será mais presidente, o grupo da mesma sai de cena. Mas ele perderá a liberdade pessoal. Quem tem mais a perder?? Ou quem tem mais a ganhar?
Tudo isso só me faz pensar numa única coisa. Voltemos ao título desse texto: Nós brasileiros precisamos deixar de ser patriarcais, de que teremos um “Salvador da Pátria”, um pai da Nação. Isso é ilusório. Que os “momentos estranhos” pelos quais estamos passando sejam capazes de desvendar os olhos do nosso intelecto e de valorizarmos mais a nós mesmos, como indivíduos, como população, como Nação. Não podemos apenas cobrar dos políticos o nosso bem estar, temos que nos reunir e tirar de nosso caminhos tudo que for de podridão e de interesses escusos e colocar pessoas que realmente tenham interesse no bem comum. Não podemos mais ser enganados. Somos um país incrível. Precisamos entrar definitivamente no Século 21. Estamos atrasados não a 15 anos, mas a pelo menos 50 anos. Já passou da hora de nos assumirmos como Nação e deixarmos de ser enganados.
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